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soutodaamor

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Ser Mãe de um Emigrante é... 10

Tesourinho esteve cá TRÊS semanas.

Foi bom até dizer chega.

(sim... eu sei... digo sempre a mesma coisa!)

Mas hoje vou-vos contar a zanga que eu e ele tivemos, para que não pensem que nós somos a familia maravilha, e que nada de muito mau acontece entre nós.

Desenganem-se.

Sábado. Dia de piquenique com a familia. Tudo combinado, do género "tu levas isto, eu levo aquilo, ela leva acoloutro e encontramo-nos lá". Um sábado de um calor descomunal. Mas o local era o ideal para um dia assim. Pinhal de um lado e mar do outro. Espectáculo.

Ora eu, que tenho em casa um homem que não é pontual, é rara a vez que consiga chegar a horas a algum sitio, quando tenho de ir com ele. Já imaginam o que se passou não é verdade? Chegamos atrasadérrimos ao local combinado. Porque já saimos tarde de casa, porque demoramos imenso tempo a ir comprar o que ficamos de levar, porque estava um trânsito infernal e blá-blá-blá.

Chegados ao local, eu saiu do carro disparada e ouço o seguinte:

- Então? Não levamos já as coisas? (não sei quem foi que perguntou isto... se o pai se o filho)

- NÃO! Vou ser se eles estão ali, porque de certeza que estão é na praia!

Fui. A familia toda estava lá. Regresso ao carro (que ainda estava a uns valentes metros de distância) e levo com isto:

- MAS TU ESTÁS NO GOZO CONOSCO? VIRAS ASSIM AS COSTAS E NÃO DIZES NADA A NINGUEM? FICAMOS NÓS AQUI FEITOS PARVOS? (e continuou a gritar - sim Pessoas! A gritar! - mais um par de frase que eu nem as ouvi)

Era o meu filho que gritava assim comigo.

Era o meu filho que me estava a faltar ao respeito, ali, em via pública, a plenos pulmões, com aquela gente toda a ouvir e pior a parar para ver bem o que se passava.

Primeiro, estaquei.

Segundo, e por breves segundos, lembro-me de ter pensado "isto não é comigo!"

Terceiro, caí em mim e vi que sim. ERA COMIGO.

Bem... é assim... dizer-vos que fiquei CEGA é muito pouco.

Alargo a passada, dirijo-me a ele e: "Mas tu pensas que está a falar com quem? Tu não me gRitas e não me faltas ao respeito, ouviste bem? Mas o que é isto? Calas-te e é já"

Não, Pessoas. Não gritei. Não elevei o tom de voz nem um decibel só. Disse-lho a olhar bem naqueles olhos amendoados lindos, e a tremer que nem varas verdes.

Calou-se. Olhou-me. Virou-me as costas.

E passamos o dia sem nos falarmos. Mal nos olhávamos.

Á noite, já em casa, ele está na casa-de-banho e eu entro.

Estou a colocar rimel nos meus cilios lindos e fofinhos.

Tesourinho coloca-se por detrás de mim.

Olhamo-nos pelo espelho.

E ele murmura: "Desculpa".

OH PAH!

Garanto-vos que abraço mais abraçado, nunca, em tempo algum, foi dado 

 

 

 

 

 

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