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soutodaamor

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Gafanhotos

 

Não gosto de gafanhotos.

É daqueles bichos que me provoca arrepios na espinha e pêlos de pé (e sou peluda… imaginem!).

Mas o gafanhoto foi um bicho que entrou na minha vida de forma inesperada e até inusitada.

Sendo bicho a quem eu não prestava atenção, não me incomodava, era-me indiferente, decidiu que assim não podia ser! O gafanhoto decidiu que tinha de fazer parte da minha vida. Nem que fosse a provocar-me um asco de todo o tamanho! E CONSEGUIU O FILHA DA MÃE!

Mas vou contar…

Corria o ano de 1993. Filhão tinha 3 anos.

Numa manhã normalíssima de sábado, andava eu nas lides domésticas, sendo uma delas apanhar roupa. Ora, apanha roupa, pousa cesto da dita e vai de começar a dobrá-la.

Filhão brincava entretido com uns carrinhos pequeninos e fofinhos que ganhavam vida nas mãos do meu menino… vrum-vruuuuummmm….hiiiiiiiii… cccrrrrsssshhhhh…. (acidente para quem não entendeu…).

Ora isto era uma manhã normal de sábado. Eu na versão Mulher-Dona-de-Casa e Rebento na versão automobilística.

Pego numa camisa do Maridão… meto a mão numa das mangas e sinto uma coisa dura… “Olha! Veio uma mola agarrada!” E viro a manga do direito.

E SALTA-ME A MOLA!!!

E FICA A OLHAR PARA MIM!!!

POUSADA NA RESTANTE ROUPA AINDA POR DOBRAR!!!

“Cruz-credo!!! Qu’é isto???!!!”

“Prazer Senhora! Gafanhoto-castanho-horroroso-com-um-tamanho-que-não-lembra-a-ninguem, apresentando-se!”

Dei um gritinho…

Gafanhoto-castanho-horroroso-com-um-tamanho-que-não-lembra-a-ninguem ouviu-me... E (pelos vistos) assustou-se…

E vai daí, SALTOU e foi parar aos cabelos encaracolados do meu Menino…

CON-GE-LEI!!!

Filhão não sentiu… continuou entretido a “ter” acidentes com os seus popós fofinhos.

E eu: “A.” (nome de Filhão dito num tom tão baixo que até eu não me ouvia)

“A.” (outra vez…)

“Oh A.!”

Mas filhão não me ouvia, entretido que estava.

E eu não queria dar azo á minha vontade louca de agarrar naquele bicho horroroso que atacava o meu menino…

Mas Filhão ouviu os meus pensamentos… e virou-se… e mexeu os caracóis… e…

NNNÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO...

Gafanhoto-castanho-horroroso-com-um-tamanho-que-não-lembra-a-ninguem SALTA!

E ATERRA NA MINHA CAMISOLA MESMO NO SITIO DO MEU CORAÇÃO!

MESMO-MESMO LÁ!!!

E eu desato aos berros e a bater no sítio onde se aloja o meu coração. A bater-me selvaticamente. A autoflagelar-me como se não houvesse amanhã!

Filhão desata a berrar! E a chorar!

Eu queria acalmar o piqueno mas NÃO DAVA!!! Batia em mim própria e dizia “Não é nada A.! Não é nada filho!”. Gritando feita histérica!

E Gafanhoto-castanho-horroroso-com-um-tamanho-que-não-lembra-a-ninguem agarrado a mim! “AHAHAHAHAHAHAHAHAH Grita-grita sua maluca! Daqui não saiu!”

E, como por magia, aparece a Mamã.

“Mas o que se passa?”

E vendo-me naquele desespero PRÁÁÁÁÁSSSS manda-me semelhante sapatada que ainda hoje a sinto! E Gafanhoto-castanho-horroroso-com-um-tamanho-que-não-lembra-a-ninguem SALTA!

Não sei para onde!

E nem quis saber!

Pego no meu rebento e SAIAM DA FREEENNNTEEEEEEEEE!!!

FUI-ME!!!

Ficou a Mamã a tratar da BESTA que eu tinha na sala!

E deu cabo dele!

Disso tenho a certeza! Só não sei como… mas também não faço questão!

Vá de retro bicho-castanho-horroroso-com-um-tamanho-que-não-lembra-a-ninguem!

NÃO GOSTO DE GAFANHOTOS!

Já vos tinha dito?

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